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29 de jul. de 2014

[Escrito nas estrelas] O que muda na sua vida quando você mostra ao mundo quem é de verdade


Personalidade própria, definitivamente, é uma virtude. Na era das redes sociais, dos aplicativos de namoro, dos relacionamentos fast-food e das selfies auto afirmativas, esbanjar autenticidade é valentia para poucos. Talvez, porque abrir a janela do coração e mostrar para o mundo quem você é de verdade, o melhor e o pior de si, seus defeitos, qualidades, suas crenças, lendas e contradições exige muito amor próprio e uma dose absurda de coragem. Infelizmente, sinceridade é pássaro engaiolado na vivência do outro. Absolutamente lindo no status do amigo, na foto mascarada do instagram, na bebida “tapa-buraco” da balada e no falso desapego emocional. Mas quando o assunto é a nossa travessia, muitas vezes é bem mais fácil seguir o fluxo coletivo do que assumir as reais consequências de ser, pensar e agir diferente daquilo que é visto por uma minoria como “certo” ou convencional.
O (a) “maria vai com as outras” é facilmente identificável pelo semblante sempre atencioso a tudo que acontece a sua volta, pelo comportamento naturalmente mecânico, pela aceitação involuntária de padrões e pela nítida falta de argumentos perante a uma onda de atitudes repentinas, inesperadas e, definitivamente, injustificáveis. Ele bebe porque todo mundo bebe e não pelo simples prazer de degustar a vodca com energético. Ele termina o relacionamento porque todos os seus amigos decidiram ficar solteiros. Frequenta camarotes badalados para demonstrar quase competitivamente para todos os seus 859 amigos da rede que também está totalmente inserido no universo da ostentação. Decide namorar porque, milagrosamente, todos os seus parceiros de farras se renderam ao amor e não porque a flecha do cupido acertou seu coração. Enfim, esse tipo de gente sem um pingo de individualidade, vive em função do livre arbítrio de um grupo que ele entende como sendo seu e, perde a parcela mais importante do verbo viver: aquela que utiliza do nosso poder de escolha para efetivamente tomar decisões inteligentes e ser feliz.
Não tem nada de errado em se identificar com determinadas filosofias, modelos ou padrões de conduta e em consequência disso mudar sua linha de pensamento, seus caminhos e os passos que serão delineados. Ainda bem que somos todos feitos de carne, osso, vontades, arrependimentos e, sendo assim, completamente mutáveis perante as adversidades e as experiências da travessia. O problema está justamente em seguir determinado tipo de regra de vivência buscando a aceitação de alguém que não seja a si mesmo. O universo fora da nossa zona de conforto deve ser reflexo direto daquilo que nossa essência pulsa por dentro. Qualquer coisa que não satisfaça os desejos do nosso coração e represente em toda a integridade da palavra o nosso caráter, não pode e não deve fazer parte da nossa bagagem. Nada no mundo paga a paz de espírito e a tranquilidade de ser exatamente quem a gente é, sem precisar provar nada pra ninguém. Porque uma vez que se decide seguir as trilhas de uma sociedade modista, efêmera e recheada de contradições, cedo ou tarde se paga o preço de viver uma mentira e uma existência mascarada de submissão. O universo não costuma ser flexível quando manda a conta. Perdem-se oportunidades, pessoas, histórias, o amor da nossa vida. Perde-se a nossa identidade, aquilo que define quem a gente é ali, no cantinho escuro do quarto, quando não tem ninguém olhando.
Se você é feliz sendo marionete dos desejos dos outros, enquanto o mundo lá fora te exige coragem para ser autêntico, ótimo. Agora digo com toda verdade do meu coração, enquanto você continuar saindo para a gandaia quando a fome era de filme e cobertor, desistindo de parcerias bacanas porque sua melhor amiga não teve a mesma sorte que você, bebendo uísque quando sua sede era de um mero refrigerante ou simplesmente optando pelo sul junto com a multidão quando sua vontade era mesmo de conhecer o norte, tudo que vai conseguir é embarcar uma falsa liberdade que no fundo, no fundo, não passa de um medo terrível da tão famigerada solidão.

ESSE É UM ESPAÇO ONDE EU COLOCO TEXTOS QUE EU GOSTEI
SOBRE A AUTORA: DANIELLE DAIAN É BIÓLOGA, BAILARINA, ESCRITORA E APAIXONADA POR NATUREZA. PARA CONHECER MAIS TEXTOS DELA É SÓ CLICAR AQUI. FOTO DA MEL <3

3 de jul. de 2014

[Escrito nas estrelas] Complexo de vira-lata brasileiro: você também compartilha?


Não sou a maior entendedora de futebol. Mas tenho olhos curiosos, ouvidos atentos e manifesto aquela maldita – ou bendita – doencinha que atinge 80% da população mundial de quatro em quatro anos: a paixonite aguda pela Copa do Mundo. Se eu pudesse, dava um pause no mundo até o próximo dia 13 e viveria de luz, água da torneira e Copa do Mundo na televisão. Tenho assistido a alguns jogos. Tenho me surpreendido com algumas zebras. Tenho ficado eufórica com os jogos decididos na prorrogação ou nos pênaltis. Tenho me emocionado com a campanha de países como a Costa Rica – eu e minha mania de sempre torcer pelos colonizados. E, assim como quase todos os brasileiros, tenho observado o desempenho da seleção brasileira em campo.
Digo do alto da minha ignorância futebolística que não é dos melhores. Mas também não é dos piores – senão teria sido eliminado na primeira fase do torneio. Ouvi muita gente ridicularizando o nosso empate contra o México. E desacreditando sem precedentes na escalação de Felipão que – olha só que vergonha! – precisou de prorrogação e pênaltis para vencer o Chile nas quartas de final. Seleção que não ganha em tempo regular nem nas oitavas jamais terá cacife para ser a melhor do mundo. É o que dizem as más línguas, ignorando completamente o fato de que o tal México, aquele time facinho que ficou no zero a zero com a gente, mas que teria tomado uma sacolada de qualquer time europeu, venceu a temível Holanda até os 42 minutos do segundo tempo nas oitavas de final. E que o Chile, time contra o qual registramos muitas vitórias historicamente, foi um dos responsáveis pela eliminação precoce da Espanha, então campeã do mundo. Isso pra não falar do sufoco que, assim como nós enfrentamos nas oitavas, Argentina, Alemanha, França e Bélgica levaram para vencer respectivamente Suécia, Argélia, Nigéria e Estados Unidos – seleções que variam entre o “tem um time ok” e o “não conheço o nome de um jogador sequer”.
Mas eles, os nossos hermanos e os europeus, estão perdoados. Afinal, eles têm Messi, Thomas Müller, Benzema e Fellaini. O problema mesmo é o Brasil, que quer resolver o jogo apenas com o Neymar. Ironias à parte, sim, nossa seleção poderia estar melhor. Mas será que somos tão ruins quanto a maioria da população brasileira acredita que somos? Para mim e para todos os estudiosos sociais, essa criticidade desmedida é culpa de um mosquitinho que picou o Brasil no período colonial e que transmitiu a nós um vírus mortal e sem cura: o complexo de vira-lata, como dizia o finado e sábio Nelson Rodrigues.
Se fosse só no quesito futebol, ok. Mas o complexo de vira-lata toma conta de nós em todos os possíveis e imagináveis âmbitos. No político, quando criticamos os programas de assistencialismo social, como o Bolsa Família, mas ignoramos que na França, o país das fragrâncias inesquecíveis e da pomposa torre Eiffel, um mero seguro desemprego pode se estender por até 36 meses e as famílias são aportadas financeiramente de acordo com a quantidade de filhos. No econômico, quando achamos um absurdo que o nosso PIB possivelmente cresça apenas 1,1% em 2014, mas fechamos os olhos ao desemprego espanhol, que vem apresentando recordes históricos. No social, quando nos indignamos com a postura do menino da favela que ouve música alta no celular dentro do ônibus, mas achamos o máximo o negão do Bronx carregando aquele rádio enorme colado à orelha. No cultural, quando denegrimos qualquer música brasileira de fato popular e intitulamos cultsaqueles que escutam rocks gringos dos anos 70 – como David Bowie e seu nada erudito “suck, baby, suck, give me your head” em Cracked Actor.
Sinônimo para o tal do complexo de vira-lata é a falta de autoestima, de certa forma, imputada em nós desde a nossa formação como povo brasileiro, tropical e miscigenado. Dizia-se, até meados dos anos 20 ou 30, que a grande desgraça do Brasil era seu povo miscigenado. E se hoje, internacionalmente, o liquidificador brasileiro é visto com muita admiração por ter formado esse povo tão bonito e hospitaleiro, nós continuamos com a mentalidade do início do século passado. Ah, de que adianta São Paulo ter um dos metrôs mais limpos do mundo se o povo é mal educado? De que adianta os sites estrangeiros de turismo colocarem o Rio de Janeiro como uma das cidades mais bonitas do mundo se o carioca é folgado e sempre quer ganhar vantagem em cima de todo mundo? Que não me faltem minhas férias em Itacaré, mas convenhamos que a Bahia não vai pra frente porque baiano gosta mesmo é de uma rede. A Amazônia é a floresta tropical de maior biodiversidade do mundo, mas é empesteada por aquele bando de índio preguiçoso, que quer ter smartphone, mas não quer trabalhar. Um país em que o livro da Bruna Surfistinha vira best-seller? Tem que ser esse povinho de merda, que não sabe o que é cultura.
Temos realmente muitos problemas, mas será que a gente é tão lixo assim? Será que realmente somos vistos como esse povo odioso, pobre de espírito e sem nada a acrescentar? Creio que não. Só nesse período de Copa, já vi pelo menos uns cinco textos gringos exaltando o Brasil e comportamentos brasileiros que poderiam ser exportados para todo o mundo – tal como a nossa hospitalidade com os estrangeiros, a nossa higiene e os nossos abraços calorosos. Sei que isso não é suficiente para fazer de um país um exemplo – e que o Brasil ainda precisa avançar em diversos setores para ser um lugar ideal para se viver. Mas já é um bom começo.
E seria ainda melhor se você, em vez de subir aos céus e analisar o Brasil do plano espiritual, como se você não fizesse parte dessa massa ~de merda~, se inserisse no contexto e pensasse no que pode fazer para mudar a situação que tanto o desagrada nesse país. Porque se algo o incomoda, você deve ser o primeiro a levantar a bunda da cadeira para tomar alguma atitude. Se estivéssemos conformados com um ~Brasil de merda~ há 40 anos, muito provavelmente teríamos sido ainda mais subjugados por uma ditadura militar. Se estivéssemos resignados com uma ~tarifa cara para um transporte público de merda~, certamente não teríamos conseguido a revogação do aumento do valor o transporte público em 2013. Se aceitássemos continuar na ignorância, não teríamos 98% das nossas crianças entre 7 e 14 anos na escola.
Depende – também – de nós. Como sempre dependeu.

Sobre a autora Bruna Grotti é jornalista, cantora e apaixonada. Para conferir o texto na integra é só clicar aqui.

Recado: Quero dar uma noticia para vocês: semana que vem eu vou para Ubatuba (ebaaa o/), eu realmente to precisando descansar e curtir a coisa que mais me da esperança na vida, a praia.
Eu já comentei que não estou tendo tempo e inspiração para fotografar por isso vou aproveitar esses dias para treinar e tirar bastante fotos para vocês! mas não se preocupem porque eu não vou abandonar o blog, vou programar post para a semana e amanhã (sexta) vou aproveitar o jogo do Brasil para responder todos os comentários. Espero que vocês visitem bastante o blog e quando eu voltar vou inaugurar o canal do blog *-* gravarei o vídeo lá em Ubatuba mesmo. É isso

Crédito: Casal sem vergonha


26 de jun. de 2014

[Escrito nas Estrelas] A gente foi demais (ainda amo você, ok?)


Já faz tempo. Você mudou, eu mudei, a gente cresceu. A vida passou, olha só que coisa bonita, mas aí o passado ficou pra trás também. Já faz tempo, a gente não se vê mais com aquela frequência, nem se abraça, nem divide nossas vidas, nem comenta mais sobre todas as outras pessoas do mundo. Mas outro dia, outro dia bateu essa saudade louca que só dá de gente de quem a gente gostou muito, sabe?

Lembrei de um tanto de coisa que me fez rir sozinha. Só coisa boa, porque chega uma fase que não faz mais sentido guardar sentimento ruim. Além do mais, não guardo nenhum sentimento ruim de você. Só sentimento bom e lindo, por tudo o que a gente viveu e riu.

E a gente riu muito, não é? 

 A gente sempre ria até chorar. Nunca era risadinha boba, nem sorriso amarelo, a gente ia até o fim das consequências, daquelas que se orgulham de engasgar de rir. A gente engasgou muito de rir na vida.

Lembra também como a gente se conhecia? A gente se conhecia muito, muito, muito, muito. Nem precisava olhar, só a respiração já fazia entender o que a outra pensava. E a gente sempre pensava tão igual.

Um dia, falaram que conforme os anos fossem passando, a gente ia se afastar. A gente até se revoltou com isso, que absurdo, claro que não, era pra sempre. A gente jurou, de pé junto, que não ia acontecer, não ia afastar, que a vida não ia ter esse poder todo. Que viessem as responsabilidades, as outras pessoas, os problemas, o tempo e a falta dele, a distância, que viesse tudo: a gente era mais forte. A gente acreditou tanto que a gente era mais forte. Não era. 

Andam acontecendo coisas tão boas na minha vida, de repente tudo tá dando tão certo, os sonhos tão parecendo tão mais perto. E eu fiquei com uma vontade louca de te ligar pra contar tudo isso, pra você ficar feliz por mim, pra gente comemorar como a gente costumava comemorar as vitórias uma da outra. Mas aí eu já tava com o celular na mão quando travei. Travei. Não consegui. Porque vieram as responsabilidades, as outras pessoas, os problemas, o tempo e a falta dele, a distância. Veio tudo e a gente não foi mais forte.

Já faz tempo e é triste que eu não consiga mais nem te ligar pra te contar da minha vida. Logo a gente, logo a gente. Sabe, aquelas que eram tão grudadas que tinham as vidas tão entrelaçadas, que todo mundo dizia que não se largavam. Logo a gente, olha só, foi se perder nos nossos próprios caminhos.

Eu quis te ligar, quis muito, muito mesmo. Mas não soube como começar a conversa, não soube se falava "Oi, tudo bem?" ou "Oi, quanto tempo" ou "Oi, lembra de mim?". Não soube se você ia ficar feliz de verdade, como era antes. Nem soube se a gente ainda tinha aquela ligação ou era só coisa da minha cabeça. Não soube se eu ainda era a futura madrinha do seu casamento, do seu futuro filho. E aí eu lembrei também de como eu já não sei mais quase nada de você e você sabe cada vez menos de mim. Lembrei que nossas risadas diminuíram tanto, que ninguém mais fala como a gente vive juntas, que nossas certezas não são mais as mesmas. 

Queria te dizer, apesar de tudo isso, que te levo na alma, no coração e na minha história. Que talvez quase ninguém mais seja tão importante na minha vida como você foi. Que talvez quase ninguém mais tenha tanta influência na pessoa que eu me tornei. Nem tenha me ensinado tanta coisa como você fez. Queria dizer que eu ainda fico feliz por você, por tudo, qualquer coisa, porque o sentimento não acabou. Pode ter acabado o contato, o dia-a-dia, a liberdade de poder ligar e contar minha vida. Mas eu ainda espero que eu possa te chamar pro meu casamento e que você esteja lá no altar, olhando tudo, com o sorriso mais lindo, com a certeza de que não importa se o presente não colabora, a gente é o que é por tudo o que a gente foi. E a gente foi demais. 
                                                                                                -A

Esse texto é da Karine Rosa que aparentemente tem o dom de escrever de uma forma incrivel sobre tudo que acontece na minha vida, para saber mais é só clicar aqui

8 de mai. de 2014

[Escrito nas Estrelas]: Sempre tem uma rasteira para te deixar sem chão


Eu não queria começar com um título tão pessimista. Eu jurei para mim mesma, há uns dois, três ou dez meses, que eu nunca mais iria levar os tombos que eu venho tomando durante os 18 anos que estou por aqui. Não me entenda mal, é só que eu já levei muita porrada de gente para quem eu já dei muito a mão. Então, durante uma fase da minha vida, eu achei que eu estava blindada. Pode vir, tô pronta. Não tô. Porque é isso: sempre tem uma rasteira pra te deixar sem chão.

Enquanto eu achei que eu sacava tudo de amizade, eu comecei a considerar mais gente na minha vida. Porque, durante muitos anos, eu era uma garota de poucas amizades. Ou melhores amigos ou conhecidos. Eu não sabia ser só amiga. Eu queria ser amiga inteira, de levar em casa, apresentar família, dividir a vida. Mas aí, um dia qualquer, eu achei que eu podia deixar entrar. Podia dar algumas chances. Podia parar de ser tão desconfiada. As pessoas tavam ali - tentando. Eu podia tentar também. 

Aí vem um baque. Depois dois. Três, quatro, um milhão. Parece que nunca acaba. Sabe, eu tenho essa mania de acreditar nas pessoas. Eu tenho essa mania de achar que elas fariam por mim tudo o que eu faria por elas. E achar que eu posso esperar o melhor delas. Só que quando você acredita muito nas pessoas, você quebra a cara com suas próprias expectativas. E, às vezes, você deixa de acreditar em si mesmo e naquela vozinha chata do sexto sentido. "É besteira", você pensa. E olha só onde estamos agora, queridinha - ele berra quando você dá de cara no chão. 

Eu queria jurar para o meu coração que eu nunca mais vou me iludir com os outros. Queria prometer que vou me afastar de todas essas pessoas-vampiros que ficam roubando minha essência. Que vou fugir de sanguessugas e me poupar de tanta desilusão. Mas, eu sei e meu coração sabe, eu sempre acabo na mesma situação. Uma hora,  eu aprendo (eu acho). Talvez eu encontre aquele tal de meio termo. Ou talvez eu continue assim até o final. (Porque, ainda que baqueada, ninguém pode me crucificar por não me doar, com orgulho, para as pessoas).


Então é isso. Tô aqui, de novo, digerindo mais meia dúzia de facadas. O estômago tá revirado, o coração quebrado em pedaços e a alma se questionando: até quando? Não sei que dia, que horas, que mês, mas te prometo: uma hora passa. "Amanhã", juro pra você, tô novinha em folha. Aí lá vou eu, com as minhas desilusões, pronta pra acreditar de novo. E me enchendo de vacinas meia-bocas contra as próximas decepções. 

25 de abr. de 2014

Escrito nas Estrelas: Vou seguir sem você


Não sei como começar essa carta. Para ser sincera, nunca sei. Mas agora é mais difícil. Me recuso a ser formal e colocar seu nome inteiro no começo. Mas também não posso usar o "meu melhor amigo", porque ele já não cabe mais. O que é uma pena. 
Sei que pode estranhar a carta, não pelo fato da carta em si, porque sabe que adoro escrever, mas é que faz tanto tempo, não é? Tanto tempo desde a última vez. Difícil esquecer. Não quero brigar –em algum momento eu quis? –é só um desabafo mesmo. Nosso ultimo adeus.
Adeus.
Dizem que nosso pesar tem cinco estágios: a raiva, o medo, a culpa, a depressão, e finalmente, a aceitação. Você precisa passar  por todo o processo para aceitar. Eu passei. Doeu, mas eu passei.
Na raiva eu te odiei. Odiei que você me jogasse na cara tudo aquilo que jogou, por ter me dito verdades tão doidas e inaceitáveis. Odiei não ter tido algum reconhecimento por tudo o que fiz –ou pelo menos tentei –por você.  Sempre ali, ao seu lado, tentando te ajudar. No angustiante e doentio medo, tive medo de você me odiar –embora deva ter me odiado –Tive medo de esquecer tudo o que passamos juntos, todas as brincadeiras e conversas. Todos os passeios de mãos dadas.
Na culpa sentei-me aos bancos dos réus, e, sem esperar que começassem o bombardeio de acusações, me culpei. Culpada por ter sido grossa. Culpada por te ajudar. Culpada por ter me intrometido de mais. Culpada. E esperei a sentença com calma, porque a depressão ainda não havia chegado.
Mas chegou.
Chegou  esbaforida, pedindo desculpa, entrando sem bater. Toda suada e sem elegância, tomando o espaço que lhe pertencia (e todos os outros em volta), sem pedir licença, e trouxe com ela seu amigo inseparável, sua essência, sua alma: o choro.
Felizmente esse estagio passa rápido, ela não é dada a despedidas, diferentes do modo como chega, vai-se embora discretamente, no meio da noite, como uma fugitiva, e quando você acorda não tem mais vontade de chorar, embora quisesse, e até consegue sorrir, embora ache errado.
E, então, depois de todo esse sofrimento, você começa a aceitar. Aceita que não é perfeita e falha. Aceita que a outra pessoa também não é perfeita e também falha. Mas, principalmente, aceita que suas relações são como pequenos livros e que o fim é inevitável. Nada nessa vida é eterno, nem a felicidade, nem a tristeza, nem o amor, nem a amizade. Um dia as coisas acabam. Pessoas se vão. Lembranças ficam.  Outro ciclo recomeça. Não há como lutar contra isso.
Eu protelei o final o máximo que dei, em parte porque não queria terminar uma historia tão linda, em parte porque achava que tinha conserto. Queria que nossa amizade fosse at infinittun, que depois desse pequeno parêntese ela retomasse ao que era antes. Doce ilusão. Te enviei uma mensagem, que, entre outras coisas, perguntava se você sentia saudade e me perdoaria. Esperei sua resposta como um estudante espera pelo resultado do vestibular. Depois de alguns dias, você respondeu. Disse que estava sem tempo, mas que se eu esperasse poderíamos conversar. Eu esperei. Por que não?
E esperei. E esperei. E esperei.
Mas foi em uma das suas brincadeiras com outra pessoa que você respondeu. E acho que você pode não ter percebido, mas eu percebi. Numa clareza tão profunda que me cegou. E ao mesmo tempo me fez ver tudo de novo. Não importava o que respondesse,  o que conversássemos, não importava que sentíssemos saudade, não importava porque você mudou e eu também, nossa história já havia acabado. Só faltava oficializar com a palavra FIM.
Hoje não acuso, não me culpo, não choro. Ainda lembro, é verdade, e fico nostálgica perguntando se ainda seriamos amigos se tivéssemos agido de outra forma.  Será? Talvez. Não dói mais. Incomoda, é claro. Às vezes coça. Mas está cicatrizado. E não sangra mais. Caio Fernando Abreu, um mestre da nossa literatura, escreveu que “Sofrer dói, dói e não é pouco. Mas faz um bem danado quando passa”. E passou.
Hoje apenas agradeço. Agradeço por ter te conhecido, pelas risadas, pela amizade, pelo que me ensinou. Agradeço pelas lágrimas também. Por que não? Mas as partir daqui, sem mágoa e sem rancor, coloco você na minha caixinha de lembranças, no fundo do meu coração e sigo sozinha.
Vou me lembrar de você. Vou sentir saudade. Vou desejar que daqui uns anos, depois de amadurecermos, encontramos de novo e recomeçamos a amizade. Não de onde paramos. Mas do começo. Vou derramar ainda algumas lágrimas, certeza.
Mas nesse momento, acabou. Vou colocar esse livro na estante de livros lidos. E seguir sem você.

O texto original é da Fernanda Campos do blog Uma Dose de Café, ela é psicologa formada e ama escrever. Adaptei esse texto (colocando um pouquinho dos meus pensamentos). De qualquer forma espero que vocês também se identifiquem e gostem! 
Xoxo

4 de abr. de 2014

[Escrito nas estrelas] Que pena amor

Hoje eu trouxe para vocês mais um texto da Karine Rosa. Como vocês podem perceber eu sou uma grande fã de tudo que ela escreve, sempre me identifico muito. A Karine é escritora e tem 22 anos, ela é colaboradora no Depois dos Quinze

Sabe qual foi a primeira coisa que eu pensei quando te vi pela primeira vez? Que Você podia ser o amor da minha vida. Não foi amor à primeira vista. Não senti nenhuma espécie de formigamento no corpo, não fiquei nervosa com a sua presença, nada de extraordinário. Mas eu pensei, assim que te vi, que poderia ser você. Você tinha exatamente aquele olhar que eu procurava em todos os outros. Sua voz me arrepiava - isso você fez desde o começo. E você parecia pronto para escrever uma história de amor comigo. Eu olhei para você e vi alguém pronto para encarar a coisa toda ao meu lado. Pronto para pular do precipício se precisasse. E eu precisava. 

Você era uma das melhores pessoas que eu já havia conhecido. Hoje, eu não sei se aquilo era imaginação ou você que deixou de ser aquela pessoa. Você tinha um brilho no olhar quando me via que me fazia ter certeza que eu havia te devolvido a vida. Você sorria e tudo parava. Eu tinha certeza que era você. Parece meio ridículo falado assim, mas eu sabia que você tinha tudo para ser o grande amor da minha vida. Talvez você não tenha se tocado disso, e por isso as coisas caminharam para um caminho tão diferente daquele que eu imaginei.

Não posso dizer que perdi você, quando na verdade nem sequer te tive. Não posso te acusar de ter mudado, quando você nunca me prometeu comportamento constante. Você nunca me prometeu nada, fui eu que vi promessa aonde não tinha. É que eu quis tanto que fosse você. Tanto. Acho que foi um pouco porque eu estava cansada de nunca ser nenhum dos outros. Deve ser coisa de gente que já apanhou demais do coração, sabe? A gente vê um pouco de carinho e já imagina que é amor. Não era amor. Nem meu, nem seu.

Eu sinto muito a sua falta. Eu tenho muita saudade do seu olhar, do seu sorriso, do seu abraço, do seu carinho, das suas palavras. Eu tenho saudade do seu silêncio. De ficar quietinha ao seu lado e não me sentir desconfortável. Será que um dia a gente vai conseguir fazer isso de novo? Eu tenho muita saudade de você. O que é estranho, já que ainda te vejo todos os dias, já que ainda dizemos oi, já que ainda fingimos que somos amigos. Eu tenho saudade de você porque eu não vejo mais você no cara com quem eu esbarro todos os dias. Eu procuro, eu olho nos seus olhos, eu tento encontrar qualquer indício de quem eu achava que você era. Não acho.

Eu tenho saudade de você porque eu não te conheço mais.

Sabe qual foi a última coisa que eu pensei antes de ter dar as costas? Que você podia ter sido o amor da minha vida e não foi. Que penaQue pena que a gente não foi para sempre. Que pena que a gente não se amou. 

PPOD.

20 de mar. de 2014

[ESCRITO NAS ESTRELAS] Se a gente se reencontrar

Oi gente, 
Hoje eu trouxe para vocês mais um texto da Karine Rosa. Como vocês podem perceber eu sou uma grande fã de tudo que ela escreve, sempre me identifico muito. A Karine escreve e tem 22 anos, ela é colaboradora no Depois dos Quinze. Esse texto inclusive eu li lá, enfim eu não sou uma boa escritora então sempre que achar um texto legal eu posto aqui com os devidos créditos ok? E se vocês quiserem que eu publique o texto de vocês é só me chamar do chat do facebook (aqui).


Se esbarrar comigo pelas ruas do seu bairro, não mude de calçada. Puxe meu braço com leveza, como você costumava fazer, e diga baixinho que estava com saudade. Diga que pensou em me ligar, que tem tanta coisa para dizer, que a vida não foi mais a mesma depois de mim. Se souber que conquistei algum dos objetivos que sonhávamos juntos, me ligue para comemorar. Diga que se orgulha do meu esforço, que sempre acreditou em mim, que sabia que eu chegaria lá.
Se souber que ando triste, mande uma mensagem. Pergunte se eu preciso de ajuda, se pode fazer alguma coisa, se foi alguma coisa que você fez. E quando estiver em desespero, me grite também. Não me deixe saber pela sua mãe que você está em um quarto de hospital e não quer me ver. Eu ainda preciso saber que, no fundo, você ainda precisa de mim.
Se sentir muita saudade, releia as cartas que esqueci, de propósito, na gaveta do seu escritório. Tente me reencontrar nas linhas e entrelinhas das nossas histórias. Relembre os momentos em que nada mais importava. Desfrute do passado que nós tivemos, recorde o futuro que imaginávamos, pergunte-se como você foi me deixar sair da sua vida. Se não lembrar o que te fazia tão feliz em nós dois, procure em nossas fotos. Nós guardamos um bocado de felicidade naquelas lembranças e aniversários.
Se passar pela rua do meu prédio, pergunte ao porteiro se estou em casa. Peça pra subir. Ou peça para eu descer. Diga que estava só passando e resolveu dizer um oi. Eu vou acreditar, eu juro. Se quiser ficar um pouco, diga que sente saudade do sabor do meu café, do cheiro do meu bolo e do conforto do meu sofá. E eu vou tentar disfarçar a saudade que sinto de ter minha casa com você.
Se souber que vamos à mesma festa, não me evite. Não me faça acreditar que nós dois viramos aquele tipo de pessoa que passa a odiar quem um dia tanto amou. Se me reencontrar refeita em um restaurante com alguém que me faz sorrir, peça ao garçom que me sirva a minha bebida preferida. E eu vou saber que, de longe, você fica feliz ao ver minha felicidade. Se nossos olhares se encontrarem, não desvie. Não aja como se a gente se repelisse.
Se não souber suportar a ideia de outro ter meu coração, não me odeie. Saiba que uma história não precisa ter final feliz para ser bonita. E que eu te guardo com um carinho enorme no peito. Se tudo isso for muito difícil, saiba, então, que te entendo. Que aceito que mude de calçada, que diga aos outros que não fui nada, que seu olhar fuja do meu. Se eu puder, no entanto, te fazer só um pedido, faço esse: não mate tudo aquilo que a gente viveu. E, aí, eu deixo que me esqueça em paz. Eu só espero que a infelicidade momentânea não destrua tudo aquilo que nos fez feliz demais.

21 de fev. de 2014

Escrito nas estrelas: "A falta que você me faz"


Hoje eu acordei com saudade de você. Não que eu não sinta nos outros dias, é que tem dias que dói mais. Dias que é impossível conter as lembranças, a nostalgia, a falta que você me faz. São dias assim, cinzas, tristes. Dias que eu precisava tanto de você, que tenho vontade de pegar o telefone e ligar, para conversar por horas. Quase pego o celular. Mas, então, a realidade me dá um soco no estomago, eu perco o ar, o equilíbrio, a vontade de continuar.

Você não está mais aqui. Por mais que eu queira. E eu queria. Queria que você estivesse aqui, dividindo minhas vitórias e meus fracassos. Estes seriam mais fáceis com seu jeito doce que tanto me consolou. Queria você aqui para limpar as lágrimas que escorrem pelo meu rosto. Queria você aqui, para brigar comigo, para dizer quando estou errada, para puxar minha orelha de um jeito que só você sabia.

Mas você não está mais aqui. E me dói. Me dói tanto. Porque me faz falta. Faz falta aquelas nossas brincadeiras, que mais ninguém entendia. Faz falta até as nossas  brigas só para nos abraçarmos cinco minutos depois pedindo perdão. Faz falta ter aquela pessoa especial que você sabia que podia contar, que estaria ali, que disse que nunca ia embora.

Só que foi.

Foi embora e levou um pedaço de mim. Meu melhor pedaço. Meu melhor sorriso. Minha melhor amiga. Levou de mim minha irmã, a pessoa mais especial que já cruzou em meu caminho.

Eu sei que há outras pessoas aqui. Outras pessoas especiais.  Mas não é a mesma coisa. Não é a mesma coisa porque falta sua voz. Seu carinho. Sua amizade. Falta seu sorriso e suas brincadeiras. Até as brigas sem sentido. Não é a mesma coisa. Não sem você aqui. Aqui para ocupar esse pedaço que deixou em mim quando decidiu que bastava, que era hora de ir embora. Esse pedaço que ninguém ocupa. Esse pedaço que ainda é seu.

E dói. Dói esses silêncios onde antes houve risadas. Dói as palavras não ditas onde antes o assunto não acabava. Dói as vitorias não compartilhadas, onde antes não faltava conquistas Dói os fracassos não divididos onde antes havia sua mão para me segurar. Dói as lágrimas em meu rosto onde antes só eram permitidos sorrisos. Dói a falta de planos onde antes havia sonhos compartilhados. Dói essa saudade onde antes havia você.

Hoje eu acordei com saudade de você. E sei o que todos dizem. Todos dizem que a saudade é passageira. E um dia ela se vai de verdade. O que eu sei, o que tenho certeza, é que o pedaço que você deixou quando saiu da minha vida, quando foi embora, continua aqui. E esse não vai ser preenchido nunca.

Vou seguir em frente, porque é o que tenho que fazer.  Mas sempre vai faltar seus sorrisos, suas brincadeiras, suas lágrimas, seu conselhos. Sempre vai faltar você para o “nós” que há dentro de mim me volte a me fazer inteira.

Hoje eu acordei com saudade de você.

Saudade que dói. Machuca. Saudade de quem se foi e não volta mais. Saudade que passa, sem ir embora. Saudade que vem e se vai, mas me deixa aqui, com seu pedaço faltando, pensando em você. E na falta que você me faz.

Esse é um espaço onde eu posto texto de outros autores que eu admiro. O texto de hoje é da Fernanda Campos, para conhecer o blog dela é só clicar aqui

15 de fev. de 2014

Escrito nas estrelas: "A gente sabe quando vai acabar"

Ia acabar. A gente sempre soube, não soube? A gente fez tudo errado, como uma história rebobinando do fim para o começo. Crentes que podíamos ter um final feliz para um meio desastroso como o nosso. Crentes que íamos ser sucesso de bilheteria. Que os fãs comprariam nossa história. Que, uma hora ou outra, viraríamos um casal de cinema e seríamos protagonistas do grande amor de nossas vidas.

Mas, na verdade, se nós dois fôssemos um filme, você teria saído do cinema antes do letreiro final. Eu teria cochilado antes do fim. E nós não serviríamos nem como roteiro barato da Sessão da Tarde. A Globo jamais compraria nossos direitos de transmissão.

Porque ia acabar. Tava escrito desde o começo. Toda vez em que eu te abraçava, me perguntava: e aí, já é agora? Esse é o último? Daqui para frente é cada um por si? Todas as vezes em que você viajava, eu imaginava que você voltaria e me contaria que tinha encontrado a mulher da sua vida. Aquela que tinha balançado tudo e te feito perceber que tudo o que você viveu até aqui foi, na verdade, um grande nada. Achei que você esbarraria com aquela nos corredores do Louvre e ela te contaria que a mulher que te esperava em casa não merecia seu tempo, sua vida e seu amor.

Já eu, eu nunca cogitei ser essa mulher. A que te tiraria o chão e te roubaria para si. Eu nunca achei que era “aquela”. Porque, você há de concordar comigo, as pessoas das nossas vidas encaixam, não é? E nossas arestas, querido, nunca deixaram que nós completássemos quebra-cabeças nenhum.

Não foi novidade. E, por isso, talvez eu nem lamente tanto. Todo mundo sempre esperou esta notícia, até nós dois. Às vezes, até acho que nós demoramos demais. Insistimos além da conta. Nos fingimos de cegos porque não queríamos ver. Mas estava ali.

O fim estava nas noites em silêncio, como um buraco na cama entre nós dois, enquanto a gente não ameaçava falar para não perder mais alguma partezinha boba. O fim estava nos gritos não dados, porque já havia cansaço demais até para brigar. O fim estava no canto do quarto quando a gente saía para trabalhar e esquecia o amor molhado em cima da cama. Até que o amor mofou.

Ia acabar. A gente sempre soube. A gente insiste, insiste, insiste. E um dia o mostrinho da realidade aparece e surpreende: o amor acabou.


Finalmente acabou.

Esse é mais um texto da linda da Karine Rosa. Entrem no blog dela e curtam a fanpage :)

31 de jan. de 2014

Escrito nas estrelas: "Deixa o tempo levar"


Tá na hora de virar a página e encerrar essa história. Você sabe que tá. Eu sei que é difícil e que dói abandonar velhos sonhos e planos e seguir em frente, mas não tem por quê insistir numa peça de teatro falida, sem patrocínio, que nunca vai estrear. Olha só para essa página, toda rabiscada, toda mal tratada. A mesma história cansa depois de um tempo, pra que colocar tanta vírgula onde pontos finais já foram dados? Será que não percebeu que isso só vem machucando você? Para de insistir. Para de se doar. Para de se doer.Entenda de uma vez por todas: não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. 

A gente tem que aprender a deixar ir. Desapegar mesmo. Parar de tentar consertar o que já se quebrou. Não chorar mais pelo leite derramado. Já acabou. Não tem porque você ficar aí juntando os cacos e tentando colar. Vai sempre faltar um pedaço, não percebe? Vai sempre ter marcas que cola nenhuma pode apagar. E vê se não fecha a porta para o que vai chegar. Deixa, vai, você vai ver que vai se sentir mais leve deixando de lado e começando outra história. Não é culpa sua que essa não tenha dado certo. Não é culpa de ninguém.Tem coisas que simplesmente não são para ser. E sem desespero, sem revolta, sem mágoa: deixa que o tempo cure o que ele tem que curar. Ele é um excelente remédio, de gosto amargo, é verdade, mas capaz de sarar qualquer machucado. Não que eles sumam, ele apenas impede que continuem a te machucar. Mas você tem que deixar. 

Você já foi ao seu limite, já fez todas as tentativas, tá na hora de virar a página e seguir em frente. Deixa no passado o que do passado é. Vire a página antes que, de tanto remendar, ela contamine todas as outras páginas em branco que ainda esperam ser escritas. É melhor desistir do que se machucar mais. Os fortes, os corajosos, sempre sabem que não dá mais, a hora que tem que deixar para lá. Vamos, você já escreveu tudo que tinha para escrever aí e muito mais. Tá na hora de deixar para lá.

Vira a página, vai, já passou da hora, aliás. E se não der conta de virar, arranque, rasgue e deixa para lá, Insistir no erro é burrice. O que não falta é novos personagens esperando para entrar, novas histórias esperando para serem contatas e páginas em branco querendo ser preenchidas. Você fez tudo o que podia. É desnecessário sofrer por algo que já acabou. E você sabe que acabou. Tá na hora de começar outro capítulo e deixar esse para lá. Lá na frente, eu garanto, tem algo muito melhor esperando por você. Você só precisa virar essa página, rasgar essa história, esse seu capítulo já deu tudo o que tinha para dar.

Deixa que o tempo leve, deixa que o tempo cure, vai, desapegue, vira a página e deixa esse capítulo cheio de erros para lá!

Sobre a autora: Fernanda Campos tem 22 anos, mineira, psicologa e autora de um livro, para saber mais é só clicar.

26 de jan. de 2014

Escrito nas estrelas: "A dor que dói mais"



Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas. 
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.


Sobre a autora: Martha Medeiros é escritora brasileira autora de vários livros dentre eles Feliz por Nada

22 de jan. de 2014

Escrito nas estrelas: "Eles não sabem nada de amizade"



Não. Eu não comemorei sua entrada na universidade. Não fui para as melhores festas com você. Não conheci seus novos amigos. Não conheci seu novo namorado. Nem servi de colo quando o namoro acabou. O tempo, a distância, os compromissos, as diferenças e as mudanças separaram a gente. Muitos diziam por aí que não éramos mais amigas. Alguns, até, ousaram dizer que nunca fomos. Amigas, quero dizer. Que nunca fomos amigas, você acredita?

Quando seu pai morreu, você não me ligou. Você mandou apenas uma mensagem, assim que recebeu a notícia: “preciso de você”, escreveu. Eu estava a, pelo menos, mil quilômetros de distância de você. Eu morava em outra cidade, estava casada e tinha dois filhos. E você mandou uma mensagem dizendo apenas “preciso de você”. Eu não sabia se você tinha sofrido um acidente, se alguém tinha morrido, se você tinha descoberto que estava grávida ou se apenas tinha acabado mais um namoro. Não importava. Eu arrumei uma mala com poucas coisas, liguei para o meu marido, avisei que iria viajar. Comprei uma passagem com um preço absurdo. Peguei um voo com muita turbulência. Paguei um táxi até a sua casa. E estive lá.

Estive lá quando você precisou de mim.

O velório estava vazio. As amigas que comemoraram sua entrada na faculdade não estavam lá. Seus companheiros de festa também não. Nem seu ex-namorado, que jurou no fim que você podia contar com ele para qualquer coisa. Poucos estavam do seu lado no momento mais difícil da sua vida até então.

Eu segurei sua mão durante todos os momentos. Fiquei ao seu lado enquanto desejavam os pêsames. Te abracei e escutei seu choro. Segurei seu corpo para você não desabar.

Porque isso chama amizade. Mesmo com o tempo, a distância e os desencontros. Mesmo eu não estando aqui sempre. Mesmo com os novos amigos, os novos amores e os novos objetivos. Bastou uma mensagem, um “preciso de você” e pronto.

Eu estive aí.

Sempre estive.

Sempre estarei.


Sobre a escritora: Karine Rosa tem 22 anos e é jornalista. Quer saber mais? Acessem o blog dela.  ~aqui~ Foto via WeHeartIt

6 de jan. de 2014

"Escrito nas Estrelas": Era Bonito

Era bonito. Você escutava o que eu falava com uma paciência que poucos antes de você tiveram. E me abraçava quando as palavras acabavam e eu tinha que engolir o choro, porque continuavam esperando que eu fosse forte – de um jeito que eu nunca fui de verdade. Nós dois entrávamos numa sintonia ali naquele abraço, numa promessa silenciosa, não de pra sempre, mas de momento. “Eu estou aqui agora” – e isso era grande coisa. Uma coisa enorme. Simples, fácil, leve, bonita. Talvez, uma das coisas mais bonitas com as quais já esbarrei nos meus poucos anos de vida.
Você me apoiava. Não precisava me entender, concordar ou acreditar em mim. Você me apoiava porque dizia que me queria feliz. Um sorriso no rosto e um coração alegre. Lembra? Era o que você sempre dizia que eu deveria ter, quando, cansada, eu queria desistir da vida e jogar todos os meus sonhos para o ar. Você segurava minha mão, me fazia respirar fundo e repensar todas as minhas decisões. Dizia que eu tinha que ser menos radical nas minhas escolhas. Que tinha que ir com mais calma. Ter mais serenidade.
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